segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cultura Reciclável!!!

Lá vou eu falar novamente de mais um tema relacionado às particularidades ligadas à interação das pessoas com os trens. A verdade é que eles também fazem parte da minha vida no dia-a-dia e sempre tem alguma coisa interessante sobre o que falar. Ontem passei pela estação de Nezu, perto do outro campus da minha universidade e me deparei com um equipamento com livros em que as pessoas simplesmente podem pegar o título que lhes interessar para ler.

O que acontece aqui no Japão é que, dentro dos trens, a maioria das pessoas, encontram-se em uma das três situações: dormindo, mexendo no celular ou lendo algum livro - estes normalmente são pequenos para que sejam carregados dentro da bolsa. Esse saudável hábito gera um mercado paralelo de circulação dos livros usados e teve, como subseqüência, a prestação deste tipo de serviço pelas companhias de trem. Como muitas pessoas largam os livros dentro do trem ou em lixos próprios para depósito de livros lidos e descartados, para evitar que sejam jogados fora, decidiram por oferecer estantes públicas e gratuitas de livros.

Nesse sentido, eu tenho que tirar o meu chapéu para os japoneses. Com certeza, este hábito surgiu da necessidade de a maioria das pessoas utilizarem os trens por muito tempo, muitas vezes por mais de uma hora para se deslocar pela cidade. Desta maneira, para utilizarem o tempo de uma maneira racional e proveitosa, lêem dentro dos trens. Às vezes eu também leio... ou durmo (já aprendi a técnica ninja de dormir no trem)... ou também escrevo no meu blog pelo celular, de acordo com a minha necessidade na hora... afinal, eu tenho, todos os dias, uma boa meia-hora de trem pra chegar na universidade!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Ultimo Trem!!!

Hoje saí da universidade bem tarde e me ocorreu ter que pegar o último trem para voltar para casa. Aqui em Tóquio toda a praticidade que o sistema de transporte público oferece, também apresenta alguns inconvenientes. O primeiro é o altíssimo custo do transporte que apresenta e, o segundo, a limitação de horários das linhas para o último trem.

Quanto ao sistema de tarifação, este é definido de acordo com a distancia e a linha a percorrer. Ou seja, no mínimo o usuário paga o equivalente a 2,40 reais se for de uma estação a outra pelas linhas de trens das ferrovias do governo, a Japan Railways ou simplesmente JR. Se for utilizar os metros, o usuário paga, no mínimo 3,20 reais de uma estação a outra. Fora as linhas privadas que colocam os seus valores de acordo com os seus próprios critérios. A minha sorte, como estudante, é que tenho direito a usar um cartão equivalente a um passe escolar que somente pode ser utilizado no percurso da minha casa ate a universidade. O trecho que percorro vejo bem estratégico e passa por estações importantes, de onde eu posso me ramificar para as demais linhas e estações da cidade, pagando apenas a diferença.

Quanto ao ultimo trem, este vejo como um grande problema porque muitos japoneses trabalham até muito tarde e acabam ficando além do horário oferecido para que consiga voltar para casa, ou mesmo para sair para a noite. Assim, ou a pessoa volta cedo para casa, ou somente na manha seguinte, no primeiro trem. Existe a possibilidade de pagarem uma fortuna pelos táxis, que apresentam tarifas estratosféricas. Isso fomentou serviços 24 horas de alguns restaurantes e lojas de conveniência que se situam em torno das estações. Também impulsionaram a existencia dos famosos hotéis cápsula, que se mostram mais em conta e oferecem o básico que necessitam, ou seja, uma cama para deitar e um vestiário com chuveiro para se refrescar. Alguns não possuem nem os chuveiros. Eu já tive a oportunidade de dormir nesses hotéis cápsula para ver como era e os comparo o tamanho com barracas de camping limpas, sem insetos, sem areia e sem sol quente cozinhando os miolos. Assim, digo que a experiência foi válida. Bem que podiam oferecer trens 24 horas, mesmo que em horários mais espaçados, para atender ao publico noturno. Menos estresse na vida é sempre bom para melhor qualidade dos dias!

sábado, 31 de julho de 2010

E a Gentileza Acaba no Trem!

Merecidamente os japoneses são conhecidos por sua educação e gentileza. É admirável quanta formalidade e demonstração de servidão que os japoneses fazem questão de evidenciar um ao outro. Esta atitude pode ser facilmente percebida, sobretudo no comércio e na prestação de serviços. São rituais e mais rituais, na maneira de falar e de gesticular com movimentos suaves e lentos que dão até gosto de olhar. Tanto que muitas vezes me sinto um tanto quanto bruta e mal educada por não saber me portar em determinadas situações.

Entretanto, toda essa gentileza se esvai pelo ralo quando se trata de disputar pelo seu espaço dentro dos trens e metrôs. Nos horários de pico, normalmente os trens estão lotados, a ponto de ser necessario as epmpresas contratarem funcionários para empurrarem os passageiros para que se consiga deixar as pessoas do lado de dentro e ainda a porta fechar para o trem partir. Nessa condição de o trem abarrotado de gente, muitos se aproveitam para bolinar outras pessoas, tanto que as companhias tiveram que colocar câmeras em vagões de algumas linhas mais caóticas. A condição submissa das japonesas muitas vezes fazem com que as mulheres sejam incomodadas e não falem nada, mas existem aquelas que também estão cada vez mais encorajadas a denunciar. Bolinagem nos trens, quando provada, gera uma multa bem salgadinha para o infrator de 300 mil yenes, o equivalente a 6 mil reais.

Fora isso, é cada vez mais difícil ver as pessoas cederem seus assentos para algum idooso ou gestante e, muitos ainda, sentam nos assentos dedicados para eles, o que é pior. Existem movimentos e panfletagens de associações de idosos exigindo mais respeito dedicado a eles. O que acontece aqui é que a população de idosos no Japão é cada vez maior e os assentos específicos já não estão sendo suficientes. Há menos de um mês, uma senhora idosa estava em um trem em Fukuoka, sul do Japão, e queria sentar-se, o que seria previsível. Havia um estudante que não cedeu o seu lugar e a velhinha, literalmente, quebrou o nariz do adolescente com sua sombrinha e depois foi presa. Este é o reflexo do comportamento dos japoneses no trem. Quanto a este caso, em específico, digo que, tanto a velhinha quanto o estudante, pagaram caro pela sua falta de educação porque também ninguém tem o direito de sair quebrando o nariz dos outros por aí... apesar da vontade e de muitos merecerem... hahaha...

domingo, 25 de julho de 2010

Malhando e Refrescando-se...

Aqui em Tóquio, além das praças e postos de saúde, existem alguns equipamentos urbanos bem distintos, como os centros de esporte em cada cidade. Tóquio, o que poucos sabem, nao é uma cidade, mas uma Província, equivalente ao Distrito Federal, como capital do país. Assim, é composta de várias cidades, conhecidas como Ku (haha...válidos os trocadilhos infames!). Quando eu vim para cá, em 2008, fui viver em Setagaya-Ku, onde permaneci por 2 anos em um alojamento de estudantes. Agora vivo em Taito-Ku, em um apartamento que se mostra bem mais digno do que o de antes, mas comparado aos padrões do Brasil, um ovinho de 40 m2 dividido com uma amiga, diga-se bem grandinho para os padrões japoneses.

O alojameto em que eu vivia antes possuía um pequeno centro de esportes, então eu nunca havia me antenado para os centros de esportes das cidades de Toquio. Na verdade, são grandes “academias” que colocam no chinelo muitas das do Brasil. Essa foto mostra, a partir da piscina, o edificio de multiplos andares e as quadras la no fundo, onde tem um holofote. Eles oferecem aulas de o que você puder imaginar, desde musculação, aikido, alongamento a tênis, baseball e natação, passando também por aulas de música e outros esportes. A pessoa não paga uma mensalidade, mas compra tickets para uso no dia, do esporte que quiser. Assim, se por alguma razão você não pode ir malhar, não fica comprometido em ter que pagar pelo “não-uso” do espaço. Além dos esportes, existem piscinas que são usadas como clubes. As pessoas podem ir tomar um solzinho e usar a piscina sem o compromisso de fazer a natação em si, apesar de ser também possível.

O curioso é que o usuário não pode comprar tickets para ficar mais de duas horas. Ou você compra pra uma hora de uso ou pra duas, sem demais opções. A razão disso é a limitação definida pelo ministério de saúde daqui. E o engraçado é que a cada hora, eles determinam necessariamente 10 minutos de descanso em que ninguém possa entrar na piscina, sendo um descanso obrigatorio, também definido pelo ministério de saúde. Essa medida é tomada no intuito de reduzir problemas por excesso de exercicios de alguns “fominhas”. Ultimamente tenho ido para fazer caminhada aquática na piscina olímpica, o que me garante algum exercício e alguma corzinha! Afinal, a temporada de calor aqui, apesar de esturricar um cidadão, também acaba de repente como uma chicoteada gelada! Tem que aproveitar o verão!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Abriram as Portas do Inferno em Tóquio!

Engnam-se aqueles que imaginam que o Japão é o tempo todo um país fresquinho, cheio de neve e temperaturas amenas, com flores de cerejeiras para todo lado, dando aquela sensação de temperatura maravilhosa e idealizada pela suavidade das imagens daqui e distribuidas pelo mundo! O verão mal começou, as temperaturas não estão sendo nada agradáveis e já estão colocando uma pressão a mais no dia-a-dia das pessoas!

Aqui em Tóquio me dá a sensação de ser até pior do que em Vitória! Hoje bateu nada menos do que 36 graus, sem nenhum ventinho para amenizar. Eu olho para as pessoas e parecem estarem todas derretendo. Nem a enorme quantidade de verde nas ruas são suficientes para deixar o ar agradável. Ontem eu vi no jornal que na região de Guma, um senhor morreu de calor, literalmente! Assim, que é fundamental as pessoas se hidratarem. Existem muitos tipos de bebidas repositoras energéticas que aliviam e recuperam a hidratação do corpo humano. Além disso, inúmeras marcas e tipos de sorvetes que estão disponíveis para venda. Tem um tipo específico, chamado kakigori (かき氷)que nada mais é do que gelo picado, com xarope de algum sabor de fruta ou mesmo chá verde. Particularmente eu nao gosto muito, mas isso vende demas porque refresca bastante!

Nas ruas, dá pra ver muita gente se virando para afastar o calor. Os leques, que são acessórios tradicionais japoneses, podem ser encontrados com muitas pessoas abanando nas estações e abrigos, tanto homens quanto mulheres, sem discriminação. Muitas mulheres usando sombrinhas, no literal uso da palavra. Aqui nao são nada apreciadas as pessoas super bronzeadas como são no Brasil. Daí vem a parte inacreditável: ao invés de as pessoas usarem roupas fresquinhas, muitas usam mangas longas e luvas para não se queimarem, mesmo com tanto calor. Eu não sei, mas acho que derreteria neste tipo de vestimenta! Já adotei uma bermudinha social e blusas mais fresquinhas para ir à Univesidade. Entretanto, nas ruas se vê muitas pessoas engravatadas e com roupas nada apropriadas para a temperatura! Dá até pena...

Outros recursos para aliviar o calor tambem são utilizados, como mini-ventiladores individuais e também uns lencinhos úmidos de uma marca de cosméticos chamada Bioré, que, além de terem protetor solar, você passa e a pele fica fresquinha, com a sensação de que você acabou de tomar um banho. Destes, eu sempre carrego um pacotinho na minha bolsa porque me salva de diversas situações em que tenho que estar apresentável e não com aquela cara de que estou morrendo em um deserto. Bem, fico agora na torcida de que chegue o outono, mas enquanto isso, tenho que aproveitar a temporada de calor para tomar um solzinho. Ainda mais que eu descobri que na academia que fica a 3 minutos do meu apartamento, tem uma piscina que posso usufruir como a de um clube. Nos dias de mais disposição, rola de visitar as praias mais distantes. Mas confesso que bate uma certa preguiça de ir para tão longe para ver praias nem tão bonitas... mas a gente se acostuma!!! Um viva para as praias do Brasil!!!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quanta Segurança!

Hoje tive a oportunidade de vivenciar uma situação em que um amigo arquiteto, com quem fui montar uma maquete em Yokohama, perdeu o celular e a carteira com dinheiro, cartão de banco, dois passaportes (brasileiro e italiano) e outros documentos importantes, em plena estação de Yokohama.

No momento em que ele percebeu a falta, estávamos por pagar a compra de alguns materiais de papelaria, quando ele saiu desesperado para um local onde tínhamos parado para analisar os documentos do projeto referentes à maquete em que iríamos trabalhar. Ele volta sem sucesso de encontrá-los e desceu frustrado para o posto policial mais próximo para fazer um B.O.. Enquanto isso, terminei de pagar a conta e fui aguardá-lo em um local combinado.

Durante a espera, me certifiquei com alguns funcionários da estação sobre o que eu poderia fazer diante da situação. Me indicaram que eu fosse a uma central de achados e perdidos da estação, mas tive que esperá-lo voltar para não nos desencontrarmos. O meu amigo tinha acabado de voltar super para baixo porque não tinha encontrado suas coisas. Não passaram nem dois minutos, veio uma funcionária da estação dizendo que haviam encontrado suas coisas e que deveríamos ir buscar no tal centro de achados e perdidos.

Confirmamos os objetos, assinamos um documento da entrega e tudo estava ali, sem faltar nem uma moedinha! Incrível em se tratando de uma estação tão movimentada como a de Yokohama... o respeito ao alheio e a segurança deste lugar são quesitos de muita admiração... sera que me devolveriam tudo em perfeito estado no Brasil? Apesar de parecer que muita coisa melhorou no nosso país, acho que ainda temos um longo caminho pela frente... a partir dos pequenos gestos e gentilezas do dia-a-dia!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um Pouco de Cidade

Que o Japão é um pais em que reinam as bicicletas, isso não é mais novidade, mas o que me chama atenção é justamente a apropriação do espaço para este uso. Não somente para as bicicletas, mas também para os portadores de deficiência, as ruas e calçadas se mostram muito "amigas" dos usuários.

O constante investimento e respeito aos que circulam pela cidade é claramente perceptível. As calçadas são todas continuamente niveladas e possuem a faixa podotátil que, na prefeitura de Vitoria, foi destinada aos mobiliários urbanos e não para os deficientes visuais poderem identificar um percurso seguro, onde circular. Aqui também existe um som característico para que possam cruzar determinadas ruas de mais movimento. E um som diferente para os que cruzam as transversais. Assim, aumenta a segurança daqueles que desejam circular pelas ruas.

No ano em que morei na prefeitura de Oita, tive a oportunidade de trabalhar como voluntária para dar suporte para a delegação brasileira de corredores de cadeiras de rodas. Todos estavam impressionados com a qualidade urbana em termos de acessibilidade. Disseram que já tiveram em lugares parecidos, somente os que eram planejados e construídos pra algum evento, como as olimpíadas.

Além disso, placas e sinalizações são devidamente instaladas para que as pessoas possam se locomover em carro, a pé ou em bicicleta, também calcadas rebaixadas. Assim, compreende-se um pouco dos motivos pelos quais as coisas funcionam bem no Japão. A cobrar dos nossos dirigentes o respeito ao cidadão. Daí é que sai a educação urbana e o amor pela cidade.